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  • Personagens que discordam de você: a arte de escrever quem você não é

    Personagens que discordam de você: a arte de escrever quem você não é

    Meus personagens mais convincentes, sem exceção nenhuma que eu consiga lembrar, são os que discordam de mim em algo que realmente me importa. Não é coincidência. É a consequência direta de um princípio que levei anos inteiros para aceitar de verdade: um personagem que só existe para confirmar a visão de mundo do autor não…

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  • Literatura como exercício de imaginar o outro

    Literatura como exercício de imaginar o outro

    Escrevi sobre fanatismo, o meu próprio e o dos outros, o suficiente para saber que a coisa mais difícil de fazer, sentado à mesa de trabalho, não é montar um argumento sólido contra um fanático qualquer. É escrever, de dentro, a lógica interna que faz o fanatismo parecer inteiramente razoável para quem de fato o…

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  • IA não tem estilo, tem média — o que isso ensina sobre voz própria

    IA não tem estilo, tem média — o que isso ensina sobre voz própria

    Um modelo de linguagem é treinado para prever a continuação mais provável de um texto, dado tudo aquilo que já foi escrito antes dele na sequência. Isso significa que, estruturalmente, por desenho mesmo, ele tende ao centro estatístico da linguagem, à frase que mais pessoas, em mais contextos diferentes, tenderiam a escrever naquele ponto exato.…

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  • A obra morre quando o autor explica demais

    A obra morre quando o autor explica demais

    Já vi um bom livro ser praticamente arruinado por um posfácio mal calculado. O autor, inseguro sobre se o leitor tinha realmente entendido a intenção por trás do texto, decide explicar, em detalhe minucioso e sem nenhuma ironia, o que cada símbolo significava, qual era a mensagem final pretendida, o que exatamente o leitor deveria…

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  • Ritmo: a pontuação como respiração do texto

    Ritmo: a pontuação como respiração do texto

    A vírgula que mais me ensinou sobre ritmo não foi uma vírgula minha. Foi uma que tirei, hesitante, de um período de Marco Aurélio ao traduzir As Meditações para o português. O sentido lógico da frase sobrevivia perfeitamente sem ela. O que não sobrevivia era a pausa que o filósofo claramente queria antes de fechar…

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  • Plágio, influência e o mito da originalidade absoluta

    Plágio, influência e o mito da originalidade absoluta

    Traduzo autores mortos há séculos e escrevo textos próprios na mesma semana, muitas vezes no mesmo dia, e isso me obriga a pensar, com uma frequência incomum para a maioria das pessoas, onde exatamente termina a influência legítima e começa o plágio propriamente dito. A resposta a que cheguei, depois de anos nesse vaivém constante…

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  • A carta de agente que nunca respondem — e o que fazer com o silêncio

    A carta de agente que nunca respondem — e o que fazer com o silêncio

    Mandei cartas de apresentação que nunca foram respondidas, em diferentes fases da carreira, para diferentes agentes e editoras. Toda pessoa que trabalha com escrita profissionalmente por tempo suficiente acumula essa experiência específica, e a maioria não fala sobre ela em público porque parece, à primeira vista, uma admissão de fracasso pessoal. Não é fracasso. É…

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  • Mostrar, não contar — e quando contar é a escolha certa

    Mostrar, não contar — e quando contar é a escolha certa

    Mostre, não conte é o mandamento mais repetido em qualquer oficina de escrita criativa, e também um dos mais mal aplicados na prática. Aplicado sem critério nenhum, produz textos inchados: três parágrafos inteiros de gestos e detalhes sensoriais para comunicar algo que uma única frase direta resolveria de forma muito mais eficaz. A regra virou…

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  • A ansiedade do “isso parece que foi feito por IA” — e o que ela revela sobre nós

    A ansiedade do “isso parece que foi feito por IA” — e o que ela revela sobre nós

    Já ouvi essa frase sobre um texto meu, publicado depois de duas décadas escrevendo profissionalmente para diferentes públicos e formatos. A crítica não era ao conteúdo nem ao argumento em si. Era ao estilo: clareza, cadência, densidade sem arrogância aparente. Por um segundo me senti ofendido. Logo depois, perplexo, porque o que estavam acusando de…

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  • Por que releio os mesmos livros e nunca leio o mesmo livro duas vezes

    Por que releio os mesmos livros e nunca leio o mesmo livro duas vezes

    Reli As Meditações, de Marco Aurélio, talvez dez vezes ao longo da vida. Traduzi o livro inteiro, o que obriga a uma leitura ainda mais lenta e teimosa do que a leitura comum, palavra por palavra, decisão por decisão. E cada vez que volto a ele, é um livro diferente do que era da última…

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